
Maria Josenilde da Silva nasceu e foi criada em Governador Dix-Sept Rosado/RN. É filha de José Felipe da Silva e Ozelita Rêgo da Silva. Mãe de Maria Gadêlha da Silva e Ana Quitéria da Silva Vieira.
Conhecida como Josenilde ou Nildinha, foi criada por Francisquinha Rêgo (Tatinha), a quem chamava de avó, e por Tanita Rêgo. Tanita era professora e Tatinha possuía o 5º ano completo. Cresceu em meio aos livros, já que sua avó era uma grande leitora e Tanita, como professora, sempre muito exigente. Pode-se dizer que teve uma educação bastante rígida.
Iniciou seus estudos no Jardim de Infância Joana do Vale (JIJV), que funcionava no Ambulatório Isaura Rosado, atual Escola Municipal Isaura Rosado. Sua primeira professora foi Dona Cacau. Nesse período, precisou interromper esse momento tão bonito da infância após quebrar o fêmur, passando o restante do ano em tratamento e readaptação. A famosa “ladeira do rio” foi muito importante nesse processo.
Ao retornar à escola, já não era mais o Jardim de Infância, mas o pré-primário intermediário, com professora diferente, o que lhe causou tristeza. Por ser filha de professora e também ter sido criada por uma, tinha que dar o exemplo: fardamento completo, material escolar com caderno, lápis, borracha, tabuada e até cartilha, uma verdadeira riqueza para a época.
Aprendeu a ler muito cedo pela “decoreba”, o que era motivo de grande orgulho para sua avó, que sempre pedia que lesse em voz alta. Ela achava bonito quando lia “de carreirinha”, expressão da época que hoje equivaleria a uma leitura fluente. Era só orgulho para a avó.
Concluiu os anos iniciais na Escola Isaura Rosado, já com o novo nome da instituição. Para ingressar no Ginásio, 6ª série, era necessário fazer um cursinho e passar por uma prova. Fez todo o processo, foi aprovada e chegou ao Educandário Dix-Septiense, com 11 anos de idade.
Os dois primeiros anos foram muito bons, sem recuperação. No entanto, na 8ª série acabou reprovada em Educação Física, em razão de problemas decorrentes da infância, e posteriormente em Matemática. No ano seguinte, repetiu em outra escola e decidiu desistir do ensino regular, optando pelo supletivo de 1º grau, por considerar mais adequado à sua idade e ao tempo reduzido, concluindo-o com sucesso.
Cursou o Magistério na Escola Estadual Manoel Joaquim e, nesse período, participou de teatro musical infantil, integrando o Grupo de Teatro Força Jovem. Atuou em peças como A Princesa e o Espantalho (adaptação de O Mágico de Oz) e Os Saltimbancos. No Magistério, realizou estágio na Escola Isaura Rosado e na própria Manoel Joaquim, sob orientação de Lourdinha Rodrigues e Marizete Feitoza.
Após concluir o Magistério, foi aprovada com louvor em seu primeiro vestibular da Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte (FURN), atualmente Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Esse momento foi muito marcante para a família, professores e amigos, pois todos acreditavam nessa aprovação. Para alcançá-la, precisou abrir mão de pequenas coisas que lhe traziam alegria: as conversas na esquina com os amigos, a boate de Toinho e programas de TV. Ao finalizar do dia de trabalho como manicure, colocava a tia para dormir e seguia para os estudos.
O material de estudo era “pobre e ultrapassado”, mas era o que havia. Possuía apenas um atlas geográfico. No entanto, como boa leitora, tinha vasto conhecimento em literatura – o que foi fundamental –, assim como a obra de Francisco de Assis Silva. Ainda na faculdade, participou de sua última peça teatral, Em busca da Pedra Azul. Nessa fase, já era mãe de Maria Gadêlha.
Prestou serviço na Maternidade Onzieme Rosado, no laboratório de bioquímica. Ao finalizar a graduação, trabalhou como professora de aulas de reforço e lecionou na Escola Estadual Manoel Joaquim, nos anos de 1997 e 1998, já mãe de Ana Quitéria. Em 1999, lecionou no Educandário Dix-Septiense como substituta de um servidor em licença. No mesmo ano, foi aprovada no Concurso Público Municipal, sendo efetivada como professora na rede pública municipal de ensino, permanecendo até os dias atuais.
Realizou especialização em Gestão Escolar e Solução de Desafios pela Faculdade Atlântica. Na rede municipal de ensino, atuou por 15 anos como professora da Educação Infantil na Creche Municipal Professora Maria Gláucia Costa do Vale; exerceu a função de coordenadora por duas vezes na Escola Municipal Educandário Dix-Septiense; foi gestora na Escola Municipal Melquíades Lopes da Costa; e, mais recentemente, Chefe do Núcleo da Educação Infantil da rede municipal de ensino, no ano de 2021.
Em parceria com Reginaldo Claudino, escreveu um artigo em comemoração aos 53 anos do Educandário Dix-Septiense e também publicou na Revista Alilo, nº 03, um artigo sobre Tapuyo e Zé Feio (seu pai).
Atualmente, leciona na Escola Municipal Educandário Dix-Septiense. Em 2025, por meio do Pró-Alfa RN (Programa de Alfabetização do Governo do Rio Grande do Norte) – coordenado com apoio técnico da FGV/DGPE e alinhado ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada –, participou de evento realizado em Natal, no qual teve seu relato de experiência “OS DESAFIOS DA ESCRITA NA ALFABETIZAÇÃO: EXPERIÊNCIAS COM O GÊNERO DIÁRIO EM TURMA DO 5º ANO” selecionado e aprovado com nota 9,55, na categoria banner, representando a 12ª DIREC e toda a rede municipal de ensino.
A trajetória de Maria Josenilde da Silva é marcada pelo compromisso com a educação pública, pela dedicação à formação de crianças e pela atuação responsável na gestão educacional, construída ao longo de décadas de trabalho, estudo e envolvimento com a escola e a comunidade. Sua história reflete perseverança, responsabilidade e amor pela educação, valores que seguem orientando sua prática docente e sua contribuição para a rede municipal de ensino.
